Carlos Alberto Pereira - Vinhos & TalColunas

Vinhos & Tal

GAMAY

Embora a França seja o berço das principais uvas cultivadas no mundo e das quais são produzidos a maioria esmagadora dos vinhos comercializados, este país não é o que tem a maior área plantada de uvas e nem o maior consumo per capta de vinhos. Nestes quesitos, Espanha e Portugal saem na frente: Espanha tem a maior área cultivada de viníferas europeias (13% da área mundial) e Portugal tem o maior consumo per capta (51 litros), segundo dados de 2017, divulgados pela OIV – Organização Mundial de Vinhas e Vinhos. Mas, com certeza, a França é o país que tem os vinhos mais caros do mundo e os mais desejados pelos amantes e conhecedores. Daí, é comum encontrar pessoas (falo daqueles iniciantes no vinho) que me perguntam: “porque é mais fácil encontrar vinhos de outras nacionalidades (especialmente Chile e Argentina) e muito poucos da França, nos supermercados e empórios, uma vez que a maioria das uvas são de origem francesa e de regiões como Bordeaux e Bourgogne?” Acho que a resposta é obvia e passa, primeiro, pela questão de preço e, depois, porque o consumidor brasileiro tem uma certa preferência no paladar por vinhos mais leves, fáceis de beber e frutados. São vinhos que, na grande maioria, são vinificados em cubas de inox, sem passagem por barricas de carvalho. Não que no Velho Mundo (Europa) não se faça vinhos tintos com estas características e técnicas, claro que fazem, e um bom exemplo são os vinhos da uva de que falaremos hoje: a Gamay!
Trata-se de uma casta bem tradicional, francesa, da região da Borgonha, mais especificamente de uma denominação de origem de nome Beaujolais.
A fama e o conhecimento desta cepa se deve aos vinhos conhecidos como “Beaujolais Nouveau”, cuja produção e vinificação dura menos de 10 semanas e a fermentação ocorre poucas semanas antes de seu lançamento, que é sempre na terceira quinta-feira de novembro, dia conhecido como o Dia do Beaujolais Nouveau na França (em um outro artigo vou falar sobre isso). É um vinho para ser bebido jovem. É leve, fresco e frutado, um vinho simples que agrada facilmente a todos.
Vamos a ela!

Origem
Embora (no passado) alguns estudiosos acreditassem ser da Alemanha a origem desta uva, mas o certo e o reconhecido hoje, é que ela é da região da Borgonha, na França. Ampelógrafos defendem que a Gamay é uma mutação da uva Pinot Noir. Outros nomes são atribuídos a ela como: Bourguignon Noir, Petit Bourguignon, Gamay Beaujolais, Napa Gamay, Petit Gamai e Blauer Gamet, sendo que Gamay Noir à Jus Blanc é seu nome completo e reconhecido pela OIV.

Onde é cultivada
França (Borgonha), Brasil, Croácia, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Suiça, Itália e Canadá.
Características
Uma uva tinta de pele escura, pouca concentração de taninos, videira vigorosa e muito produtiva, é uma planta que brota e amadurece precocemente, possui bagos considerados de pequenos a médios, além de ter uma pele fina. Os seus vinhos possuem alto nível de acidez, taninos sutis e estilo frutado. Entre os aromas que se pode encontrar, um destaque para cerejas vermelhas e morangos e, dependendo do tipo de solo em que é cultivada, pode gerar aromas de framboesas e pimentas também .

Vinhos que produz
Normalmente, são uvas que entregam vinhos jovens, leves e bem frutados, para serem consumidos rapidamente. Mas existem exceções, como os Crus de Beaujolais, que podem envelhecer bem por até 10 anos.
A cor dos vinhos pode variar de púrpura à violeta e sua intensidade entre média e fraca. Geralmente, os vinhos são varietais, mas consta que na Suíça a Gamay entra em um corte com Pinot Noir, neste caso e na minha opinião: é mais do mesmo! A melhor temperatura para servir esse vinho está entre 10 e 12°C.

Harmonização
Um vinho produzido com a Gamay oferece múltiplas opções e combinações de harmonização, desde pescados, carnes brancas, founde de queijo e até mesmo com carne vermelha. Sim, alguns até vão torcer o nariz, mas tudo depende do molho que acompanha e, neste caso, a sugestão é um filé com cogumelos e palmito, acompanhado de um risoto de alho poró. Não podemos esquecer que se trata de um tinto, mas com boa acidez, pouco tanino, bem suave e leve.

Wellington Nemeth – Fotografo

Dica de vinho

Vinho: Miolo Gamay Noveau 2017
Região: Campanha Gaúcha/RS
Solo: Arenoargiloso de topografia plana
Clima: Quente e subúmido
Variedade(s): Gamay
Colheita: Manual e seletiva
ANÁLISE SENSORIAL
Visão: Límpido, coloração ruby de média intensidade com bordo violáceo.
Olfato: Média intensidade aromática e alta tipicidade trazida pelo processo de maceração carbônica, aromas de morango, goiaba e maçã caramelada.
Gosto: Vinho de estrutura leve, equilibrado, em suma, extremamente agradável e descompromissado.

SERVIÇO

Serviço: Este vinho Gamay deve ser apreciado resfriado entre 10 e 12°C. Para isto, basta deixá-lo na geladeira por 20 minutos antes de servir, mas para que não acabe esquentando na mesa é bom servi-lo num balde com água fria e pedras de gelo.

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