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Carlos Alberto Pereira

CABERNET FRANC

Ainda não dediquei uma página exclusiva aqui para falar da uva Cabernet Sauvignon, mas não significa que não falarei! Me cobraram isso, só acho que por ser a uva mais cultivada do mundo e por oferecer os vinhos mais consumidos, ela já é demasiadamente conhecida, falada, estudada e reverenciada. Não é novidade, nem para um neófito!
Em breve dedicarei um generoso espaço para falar desta vitis vinífera, que é oriunda da região de Bordeaux (embora haja controvérsias), resultante do cruzamento de duas outras uvas (Cabernet Franc e Sauvignon Blanc) e considerada a casta que dá estrutura e complexidade aos vinhos mais emblemáticos, não só na França mas em todo o planeta, principalmente no Novo Mundo!
Mas hoje vou falar de uma parente direta; aliás, uma casta até mais velha do que ela, que tem grande reputação também e que faz vinhos elegantes e suaves, tanto em blends, como no caso do famoso corte Bordalês, como em vinhos varietais: vou falar da Cabernet Franc!

Origem
Embora conhecida pela importância que tem em Bordeaux e no Loire, e atribuir-se ser esta a região de sua origem, pesquisas genéticas concluíram que a Cabernet Franc tem sua origem na Espanha, e historiadores indicam que ela teria cruzado a fronteira com a França pelas mãos de padres Roncesvalles e de peregrinos que voltavam de Santiago de Compostella.
Os Pyrénées espanhóis (cordilheira entre a França e a Espanha, no sudoeste da Europa) seriam o verdadeiro berço da Cabernet Franc. Mas o certo é que foi a partir de Bordeax/França que ela se tornou conhecida e difundida.

Características
Como já disse acima, essa uva é parente da Cabernet Sauvignon. Ela é uma das seis uvas que são permitidas nos blends bordaleses. As outras são Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot, Malbec e, às vezes, a Carménère.
Como fruta, a coloração de sua casca e película é tinta. Apresenta cachos pequenos e geralmente seus bagos também são pequenos, redondos e delicados. O aroma é pronunciado com frutas vermelhas e negras, como framboesas e groselha, com toques de pimentão e vegetais. Especiaras como pimenta também podem ser percebidas.
É uma planta vigorosa, de média maturação, que se adapta bem a solos calcários. Ela floresce e amadurece seus frutos mais cedo do que outras variedades. A casca é mais fina do que a da Cabernet Sauvignon, tem menor acidez, menos taninos e maior intensidade de aromas. Seus vinhos são mais elegantes. É bem resistente e não excessivamente produtiva; amadurece mais cedo que a Cabernet Sauvignon. Quando utilizada em cortes com variedades mais robustas, tem o objetivo de acrescentar maciez e aromas.

Onde é cultivada
A Cabernet Franc, além de Bordeaux/Loire, na França, é plantada com maior expressão em outros países, como o Canadá, Chile, Brasil, Estados Unidos, Argentina e Itália.

No Brasil
Aqui no Brasil, foi introduzida no Rio Grande do Sul pela Estação Agronômica de Porto Alegre, por volta de 1900. Nos anos 1920, os Irmãos Maristas já a cultivavam comercialmente em Garibaldi. Porém, foi nas décadas de 1970 e 1980 que ocorreu a sua grande difusão, onde se tornou a base dos vinhos finos tintos brasileiros nesse período. Atualmente, tem-se poucos rótulos de Cabernet Franc. Mas os existentes são de qualidade superior, tanto os produzidos no Vale dos Vinhedos quanto aqueles da Campanha Gaúcha: Flores da Cunha e Pinto Bandeira.

Ficha Técnica

Vinho
Pequenas Partilhas Cabernet Franc
*Passagem por barricas de carvalho francês e americano por 6 meses.
Origem: Bento Gonçalves – RS – Brasil
Visual: Tonalidade rubi viva.
Olfato: Frutado, lembra pimenta preta, com toque de baunilha.
Paladar: Adocicado, muito agradável.
Marca: Pequenas Partilhas
Safra: 2015
Variedade: Cabernet Franc
Característica: Seco
Corpo: Os taninos são presentes, mas macios e bem incorporados ao vinho.
Cor: Tinto
Graduação alcoólica: 13% vol.
Temperatura de consumo: 16ºC – 18ºC

Dicas de harmonização e vinho

São várias as combinações de vinhos (tanto varietais como em blend) com essa uva , especialmente com pratos de peso médio ou leve, como carne vermelha grelhada ou assada, sem molhos densos. Por exemplo: filé mignon assado com manteiga e ervas finas, lombo de cordeiro assado ao molho de hortelã, pimentões recheados com carne moída e sopa de lentilhas com presunto defumado, entre outros.

 

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